O sistema endocanabinoide
- 19 de fev.
- 7 min de leitura
Atualizado: 20 de fev.
Maria Ábramo para Comunidade Mab Amor & Consciência

Editado por José Octávio Abramo
Todo mundo está falando, mas você sabe o que é esse tal de sistema endocanabinoide? Onde ele fica? Como ele atua?
O nome “sistema endocanabinoide” deriva da palavra Canabidiol, uma das várias substâncias encontradas na erva de Santa Maria, popularmente conhecida como maconha, cujo nome científico é Cannabis sativa. E o prefixo “endo” é algo que acontece dentro de um sistema qualquer que seja, protegido por uma capa, assim como nós temos a pele do nosso corpo como um invólucro que nos protege.
A ciência descobre que sistema endocanabinoide é revolucionário
Então, pensa comigo, uma central de “inteligência” trabalhando 24 horas para manter a soberania de seu corpo, pelo melhor sentir, pelo prazer; o sistema endocanabinoide é uma descoberta muito moderna e ainda é uma criancinha recém-nascida para a ciência.
Tudo começou em 1960 com pesquisas em Israel, na Universidade Hebraica de Jerusalém. Liderava a equipe o Drº Raphael Mechoulam, e em 1964, obtiveram êxito e isolaram o tal do THC. De lá para cá muitos avanços, mas foi em 1988, que a ciência finalmente entendeu como a Cannabis sativa agia no corpo. A comprovação nasceu pelas mãos da cientista americana Dra. Allyn Howlett, da Universidade de St. Louis, juntamente com o pesquisador William Devane, que descobriram o tal do receptor CB1.
Chave e fechadura para abrir os tesouros e segredos!
Enquanto Mechoulam focou na química, que trazia a “chave”, a Dra. Allyn Howlett focou na biologia e concentrou os estudos na “fechadura”. Uma união perfeita que revelou todo o sistema endocanabinoide.
Através de marcadores radiativos, Allyn provou e comprovou que o nosso cérebro possuía locais específicos de ancoragem para esses compostos. A revelação é bombástica, o corpo humano não é só receptor de moléculas psicoativas, mas ele próprio as produz. A pesquisa mostrava que não somos apenas receptores casuais da planta, mas que temos em nosso corpo toda uma rede de comunicação – uma rede biológica, ancestral e complexa, que produz e mantém o equilíbrio através de boas sensações.
Uma cidade inteligente onde você é governo e população!
Podemos então pensar no nosso corpo como um grande sistema, como uma cidade inteligente, que trabalha full time, não dorme. Nessa imensa cidade as nossas células seriam comparadas aos moradores. Cada grupo de células trabalhando em setores diferentes e que interagem com todo o sistema. Nossas células trabalham dia e noite para que elas possam assegurar a sua própria existência. Mas juntas elas formam tecidos e esses tecidos cooperam com outros tecidos diferentes.
Todo esse sistema se recupera quando algo o machuca.
A vida acontece no dia a dia. E assim nós nos divertimos, trabalhamos, descansamos ou dormimos, digerimos os alimentos que comemos durante o dia e igualmente digerimos nossas emoções. Travamos combates constantes com inimigos intrusos. O sistema endocanabinoide nos ajuda também a acalmar quando algo nos desequilibra, quando nos assustamos ou somos atacados. O que muitas pessoas não sabem é que nosso corpo se recupera quando algo o machuca.
A busca pelo reequilíbrio é o que o seu corpo faz todo o tempo.
Para essa “cidade” funcionar bem, ela precisa de mensagens claras e é aí que o sistema endocanabinoide entra; uma verdadeira empresa de Correios interno do corpo. Se algo entra em desequilíbrio como, por exemplo, sentirmos uma dor ou ficarmos indignados, nervosos, cansados ou cortarmos a mão e machucarmos a pele, ou mesmo aquela noite que não dormimos direito, lá vem ele: o sistema endocanabinóide, que não pergunta para tomar o poder de um governante que se esqueceu de si mesmo. Ele atua com precisão de um arcanjo e inicia a governança, manda recados para nos acalmarmos; diminuirmos o fluxo sanguíneo; consertarmos rápido aqui ou ali; enfim, nos reequilibrarmos agora!
E tudo isso é um jogo de Lego e se encaixa.
O sistema endocanabinoide tem três partes, como um joguinho de encaixe. Tudo começa com o divino, o primeiro deles e que é conhecido como “mensageiros”. Pequenas moléculas, pecinhas divinas e especiais, que levam o nome de anandamida.
Aqui preciso explicar as profundezas desse nome. Na filosofia Hindu, Ananda não é apenas uma alegria comum, mas um estado de plenitude e paz profunda que faz parte da própria natureza do contato com algo divino; bem-aventurança extrema e felicidade suprema; alegria espiritual ou êxtase. Sim, o seu corpo fabrica essas estrelinhas de amor, pequenas moléculas especiais – as anandamidas – responsáveis por levar recados, ações e desencadear uma série de prompts de prazer, elevação e sinalização. Você é a melhor célula do universo, esse é o recado. Elas enviam sinais a cada morador da sua cidade e lembram as células de como se comportar da melhor e mais evoluída e eficiente maneira para ser o êxtase divino. Uma célula, recebe; logo um tecido pode ser curado.
A evolução segue seu fluxo, só o prazer constrói!
As mensageiras anandamidas, fazem o papel das chaves e encontram as fechaduras, os receptores de toda essa informação incrível que as anandamidas carregam. Quem estuda ou estudou fisiologia sabe que as células têm uma capa protetora, chamada membrana plasmática. Para simplificar e para que você domine o assunto, pense nela como a pele da célula ou Fronteira Viva. Igualzinho a nossa pele. O que acontece no micro, acontece também no macro (lembra? tudo o que está dentro também está fora, e tudo que está em cima também está embaixo? Só para que não nos esqueçamos de nossas origens!).
Anandamidas: chaves de grande conhecimento e equilíbrio!
A beleza do sistema endocanabinoide é sobre essa conversa entre o que está em desequilíbrio no seu corpo, com o reequilíbrio imediato. O que ele pode fazer imediatamente para te reequilibrar.
Voltando para o funcionamento desse sistema maluco que é o endocanabinoide: é na “pele da célula”, essa membrana plasmática, que é fluida, como um óleo, composta totalmente de gorduras (lipídios), e em que foram instaladas essas campainhas, que estamos chamando de "fechaduras" (receptores). Esses receptores, ficam voltados para o lado exterior da pele da célula.
Bin bón o amor chama!
As fechaduras, que a ciência chama – no caso do sistema endocanabinóide - de receptores CB1 e CB2, estão incrustrados por toda a parte exterior da membrana plasmática; como disse lá em cima, campainhas de um portão. A fechadura é colocada nessa campainha, na parte de fora da membrana da célula, para que possa receber a divina, sim!, ela, a rainha de todas as chaves que nosso corpo produz: a anandamida; o recado do amor. Dessa forma a porta da célula se abre e envia um sinal, funciona como aquela mensagem do correio e a célula rapidamente recebe as notificações: “faça isso, produza aquilo, pare com isso”. É um sinal. Uma química quase invisível!
A cura começa no nível do invisível.
A anandamida sabe – pela sua qualificação especial nomeada pela própria ciência, com tantos significados divinos – aquilo que é preciso fazer para que seu corpo, a partir das células, atuando em conjunto com os tecidos que elas formam, atuando em todo o corpo, se equilibrem. Anandamida sabe o que deve ser feito para cuidar, para corrigir, parar sarar, para melhorar tudo. As pesquisas mais recentes revelam que o sistema endocanabinoide pode ser abraçado por outras plantas, além da Cannabis.
Outras medicinas da terra na manutenção da anandamida.
A copaíba (Copaifera officinalis), por exemplo, é riquíssima em beta-cariofileno, um fitocanabinoide que conversa diretamente com nossos receptores de cura. O cacau (Theobroma cacao), o fruto sagrado dos deuses, contém substâncias que retardam a quebra da nossa própria anandamida, fazendo com que o estado de bem-aventurança dure mais tempo em nossas células. Até a doce baunilha (Vanilla planifolia) atua em receptores que auxiliam no equilíbrio das sensações. Essas plantas não apenas imitam a vida, elas estimulam o nosso "jardim interno" a produzir e manter suas próprias moléculas de amor e prazer, provando que a farmácia divina está espalhada por toda a natureza.
A gotinha da felicidade chamada aromaterapia!
Lembrando que quando o médico indiano radicado nos Estados Unidos, Deepak Chopra, pioneiro na medicina integrativa, disse: “A cura começa no nível do invisível”, poucos entenderam. Os homeopatas, os terapeutas florais, os terapeutas holísticos e alguns nutricionistas entenderam. O resto boiou. E nós, atuantes junto ao Método Fitoluz, base da nossa escola MAB AMOR & CONSCIÊNCIA também podemos agora entender com mais clareza, porque nossas gotinhas, os florais de Fitoluz, os óleos essenciais de forma “homeopática” atuam com tanta eficácia. Esses transmissores de informações que estimulam a sobrevivência de tantas anandamidas e delícias em nosso terreno biológico.
Só posso dizer para vocês, viva a vida!
Maria Ábramo
REFERÊNCIAS
Para se aprofundar: fontes e evidências científicas.
Se você, assim como nós da Comunidade MAB, ama entender a biologia por trás da magia, aqui estão as principais publicações científicas que fundamentam este artigo:
• A Descoberta da Anandamida: DEVANE, W. A., et al. Isolation and structure of a brain constituent that binds to the cannabinoid receptor. Science, v. 258, n. 5090, 1992. (A pesquisa do Dr. Mechoulam que isolou a "molécula da felicidade").
• Os Receptores (A Fechadura): HOWLETT, A. C. The cannabinoid receptors. Pharmacological Reviews, v. 54, n. 2, 2002. (O trabalho seminal da Dra. Allyn Howlett sobre como nossas células recebem esses sinais).
• Cacau e Bem-Estar: DI TOMASO, E., et al. Brain cannabinoids in chocolate. Nature, v. 382, n. 6593, 1996. (Estudo que explica como o cacau prolonga a presença de anandamida no cérebro).
• Copaíba como Canabinoide Dietético: GERTSCH, J., et al. Beta-caryophyllene is a dietary cannabinoid. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), v. 105, n. 26, 2008. (A prova de que óleos essenciais como a Copaíba ativam o sistema endocanabinoide).
• Fitocanabinoides Além da Cannabis: GERTSCH, J. Phytocannabinoids beyond Cannabis: Are they real? British Journal of Pharmacology, v. 174, n. 15, 2017. (Uma revisão completa sobre as diversas plantas que conversam com nosso sistema interno).




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